
Me lembro com clareza da primeira vez em que a inveja (negra-azulada) tomou conta de mim!
Assumo-me 100% como invejosa e nem sempre a cor da danada é branca, não.
Aliás acho cafonérrimo isso de dar cores amenas a inveja.
Sinto, sim. Sou humana, não uma Sandy!
Aos fatos: Eu estava no Jardim 3 e a escola onde estudava oferecia o lanche.
As mães recebiam o cardápio da semana e as crianças comiam o que era oferecido numa boa.
Eu amava.
Principalmente em dia de gelatina com biscoito maizena e suco de caju.
Um clássico!
Até que apareceu a porr# da garota de cachinhos dourados.
O que ela fez pra mim?
Nada!
E desde quando o objeto da nossa inveja precisa ter feito algo para que sintamos por ele o genuíno ó-d-i-o com letrinhas separadas?
Eu a odiava porque ela tinha cachinhos dourados, a odiava porque ela era quietinha e mais ainda pelo fato da criatura ter uma merendeira com lanche alternativo próprio.
Como assim? ... Eu era a Namorada do Mickey.
Por que ela podia desfilar sua odiosa merendeira do Mickey com lanchinhos diversos e não comia o que nós, relis mortais eramos obrigados a mandar pra dentro sem direito a questionamentos?
(Perceberam a mudança de humor no tratamento do lanchinho? Perceberam?)
A professora explicou que fulaninha era super alérgica a tudo e por isso não podia comer o mesmo que nós, outros alunos.
Para vocês verem como são as coisas, a pobre coitada passava um perrengue danado, devia ser doida para levar uma vida normal e comer gelatinas cheias de corantes e eu gastava horas e horas da minha infância destilando meu veneno que (à la Maria Bethânia) tinha o gosto amargo do fel.
Mas é aquela velha história, né?
Dizem que a inveja mata e que o que não mata, engorda.
Como não morri, estou aqui me degladiando com meus quilos a mais, morrendo de inveja (negra) do corpo da Carolina Dieckman.
É. Ok. Já deu pra sacar que isso não vai acabar nunca.